Para ti, meu amor, é cada sonho
de todas as palavras que escrever,
cada imagem de luz e de futuro,
cada dia dos dias que viver.
Os abismos das coisas, quem os nega,
se em nós abertos inda em nós persistem?
Quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!
Quantas vezes chorando te alcancei
e em lágrimas de sombra nos perdemos!
As mesmas que contigo regressei
ao ritmo da vida que escolhemos!
Mais humana da terra dos caminhos
e mais certa, dos erros cometidos,
foste de novo, e sempre, a mão da esperança
nos meus versos errantes e perdidos.
Transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
aqui te deixo tudo, meu amor!
Carlos de Oliveira
01/03/09
26/02/09
Um Fado: Palavras Minhas
Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...
Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.
Pedro Tamen
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...
Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.
Pedro Tamen
02/02/09
09/11/08
Love's Secret
Never seek to tell thy love,
Love that never told can be;
For the gentle wind doth move
Silently, invisibly.
I told my love, I told my love,
I told her all my heart,
Trembling, cold, in ghastly fears.
Ah! she did depart!
Soon after she was gone from me,
A traveller came by,
Silently, invisibly:
He took her with a sigh.
William Blake
Love that never told can be;
For the gentle wind doth move
Silently, invisibly.
I told my love, I told my love,
I told her all my heart,
Trembling, cold, in ghastly fears.
Ah! she did depart!
Soon after she was gone from me,
A traveller came by,
Silently, invisibly:
He took her with a sigh.
William Blake
05/10/08
fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.
José Luís Peixoto
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.
José Luís Peixoto
15/09/08
12/09/08
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
31/08/08
É o amor que vai vencendo o meu cansaço;
É o amor que sobe ao cume das montanhas;
É o amor que sabe coisas belas e estranhas;
É o amor que ilumina as ruas onde passo.
É ele, é sempre ele, que me faz sonhar;
É ele que me protege quando faz frio;
É ele que me segura a mão quando sorrio;
É ele que me dá forças para continuar.
É o amor que me traz o olhar desperto;
Foi ele que me deu a voz e o caminhar;
É ele que me faz crer nas estrelas mais perto.
É por causa do amor que sei acreditar;
Só por ele defendo ainda o que está certo;
Por ele apenas viverei sempre a amar.
Pedro Dias
É o amor que sobe ao cume das montanhas;
É o amor que sabe coisas belas e estranhas;
É o amor que ilumina as ruas onde passo.
É ele, é sempre ele, que me faz sonhar;
É ele que me protege quando faz frio;
É ele que me segura a mão quando sorrio;
É ele que me dá forças para continuar.
É o amor que me traz o olhar desperto;
Foi ele que me deu a voz e o caminhar;
É ele que me faz crer nas estrelas mais perto.
É por causa do amor que sei acreditar;
Só por ele defendo ainda o que está certo;
Por ele apenas viverei sempre a amar.
Pedro Dias
21/08/08
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
19/08/08
10/08/08
Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor
Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele.
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo.
Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo.
Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "
07/08/08
i love you much(most beautiful darling)
i love you much(most beautiful darling)
more than anyone on the earth and i
like you better than everything in the sky
-sunlight and singing welcome your coming
although winter may be everywhere
with such a silence and such a darkness
noone can quite begin to guess
(except my life)the true time of year-
and if what calls itself a world should have
the luck to hear such singing(or glimpse such
sunlight as will leap higher than high
through gayer than gayest someone's heart at your each
nearness)everyone certainly would(my
most beautiful darling)believe in nothing but love
e.e.cummings
more than anyone on the earth and i
like you better than everything in the sky
-sunlight and singing welcome your coming
although winter may be everywhere
with such a silence and such a darkness
noone can quite begin to guess
(except my life)the true time of year-
and if what calls itself a world should have
the luck to hear such singing(or glimpse such
sunlight as will leap higher than high
through gayer than gayest someone's heart at your each
nearness)everyone certainly would(my
most beautiful darling)believe in nothing but love
e.e.cummings
06/08/08
Alma gémea
Uma alma gémea é alguém em cujas fechaduras as nossas chaves servem e que possui chaves para as nossas fechaduras. Quando nos sentimos suficientemente seguros para abrir as nossas fechaduras, os nossos eus mais verdadeiros saem e podemos ser completa e honestamente quem somos; podemos ser amados pelo que somos e não pelo que fingimos ser. Cada um revela a melhor parte do outro. Haja o que houver de mau à nossa volta, com essa pessoa estamos seguros do nosso paraíso. A nossa alma gémea é alguém que partilha os nossos mais profundos anseios, o nosso sentido de direcção. Se formos dois balões e a nossa direcção for para cima, tudo indica que encontrámos a pessoa certa. A nossa alma gémea é aquela que faz a vida voltar à vida.
Richard Bach, in "A Ponte para a Eternidade"
Richard Bach, in "A Ponte para a Eternidade"
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